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Publicado em 24/10/2026 10:50:16 • Agronegócio

Jovens rurais são protagonistas em Dia de Campo

Diversificação da propriedade também é evidenciada na atividade
Foto: Deise A. Froelich / Emater/RS-Ascar

O Dia de Campo realizado na quarta-feira (21/10), em Campina das Missões, oportunizou aos participantes conhecer diferentes oportunidades de renda e de promoção da qualidade de vida em propriedades da agricultura familiar. A Escola de Ensino Médio Casa Familiar Rural (CFR) Filhos da Terra foi a anfitriã do evento e recebeu, na Linha Butiá Norte, lideranças, agricultores e estudantes de diferentes pontos da região.

Jovens rurais, estudantes da CFR, foram protagonistas da atividade ao compartilhar o conhecimento construído em sala de aula e a campo. As estações também contaram com a participação de professores, técnicos da Arede e extensionista rurais da Emater/RS-Ascar, que orientaram o público sobre estratégias para melhoria da produtividade e promoção de práticas sustentáveis no meio rural.

O uso de bioinsumos a partir de materiais e resíduos existentes na propriedade esteve entre os temas abordados. Inserida no contexto do Bioma Pampa, a Escola desenvolve, em parceria com outras instituições, ações voltadas à preservação da agrobiodiversidade, algumas delas apresentadas durante o Dia de Campo. Entre as iniciativas, destacam-se práticas conservacionistas e de manejo de abelhas nativas sem ferrão, como as espécies jataí, borá e canudo.

O manejo ecológico da horta relacionado com cuidados com o solo foi outro ponto abordado. Na horta e no pomar da escola surgem aliados como o chamado Margaridão e o BRS Capiaçú, usados como alternativas de barreira natural e quebra-vento, além de sua palhada ser aproveitada para a proteção do solo.

No viveiro, os participantes acompanharam a evolução das diferentes etapas do desenvolvimento das mudas associadas à importância do cultivo protegido.

Em uma trincheira aberta, o extensionista rural da Emater/RS-Ascar Júnior Kessler demonstrou a importância de estratégias de conservação do solo que estão ao alcance do produtor, orientadas no âmbito do trabalho realizado em parceria com a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural (SDR), a exemplo da descompactação e do controle da erosão. Kessler apresentou resultados de pesquisa coordenada pela Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), campus Cerro Largo, sobre a quantidade de soja que se deixa de produzir em função da erosão. No estudo, em lavoura sem erosão se chegou à produtividade de 80 sacas de soja por hectare. Com perda de solo de dois centímetros, a produtividade de soja foi de 53 sacas/ha, enquanto nas áreas em que as camadas de solo perdidas com a erosão foram de quatro e sete centímetros, foram colhidos 32 e 19 sacas/ha, respectivamente.

Da mesma forma, destacou-se a influência da compactação do solo na redução da produtividade. Plantas de serviço, com raízes profundas e agressivas, foram apresentadas como alternativas para a estruturação do solo.

A atividade leiteira recebeu atenção na estação em que foi apresentado um modelo de sala de ordenha, funcional e de baixo custo, assim como a proposta de implantação de sistema silvipastoril.

Exposição de produtos da agricultura familiar e a explanação sobre a importância dos parceiros que viabilizam o trabalho e projetos desenvolvidos na CFR também estiveram na programação. A pedagogia da alternância e as áreas de conhecimento que integram a formação sistêmica do educando, que fazem da escola uma referência em promoção da sucessão familiar, com qualificação, também foram apresentadas.

SUCESSÃO FAMILIAR RURAL E ESTRATÉGIAS PARA RESILIÊNCIA DA AGRICULTURA

O turno da tarde reservou a oportunidade de acompanhar a palestra sobre sucessão familiar enquanto um legado que se constrói com diálogo e gestão, conduzida pela agricultora e mentora Elisiane Soster.

Em sua explanação trouxe reflexões sobre a valorização das raízes e da própria propriedade. "Se não tivermos orgulho do nosso chão e não enxergarmos a nossa casa como uma referência de futuro, como é que os nossos filhos vão querer continuar nela?", destacou Elisiane, ao contextualizar a agricultura familiar do Estado e trazer a história de sucessão em sua família.

Outra palestra, sobre a disponibilização de água às plantas e a importância da infiltração, ministrada pelo professor da UFFS, Douglas Rodrigo Kaiser, lançou luz a estratégias conservacionistas do solo para a resiliência na agricultura. A abordagem se relacionou com a explanação do extensionista rural da Emater Antônio Jung, e do produtor Paulo Weber, que apresentaram o case da propriedade da família Zenzen, de Campina das Missões, que alia a irrigação ao manejo adequado do solo.

Fonte: Deise A. Froelich / Emater/RS-Ascar
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