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Publicado em 14/05/2026 10:30:45 • Meteorologia

Ciex projeta El Niño muito forte no RS

Há risco de chuvas acima da média no segundo semestre no estado
Super El Niño pode intensificar eventos extremos no planeta (Fotos: Reprodução)

Documento divulgado pela Furg indica intensificação do aquecimento no Pacífico e reforça risco de chuvas acima da média no segundo semestre

O Centro Interinstitucional de Observação e Previsão de Eventos Extremos (Ciex), vinculado à Universidade Federal do Rio Grande (Furg), divulgou na terça-feira (12/05) a Nota Técnica 3, que atualiza as projeções para o fenômeno El Niño no Rio Grande do Sul.

Segundo o documento, o fenômeno pode atingir a categoria "muito forte" a partir do segundo semestre deste ano. A nova avaliação amplia o alerta anterior do centro, que classificava o evento como de intensidade forte.

O El Niño ocorre quando as águas do Oceano Pacífico Equatorial apresentam temperaturas acima da média por um período prolongado. Apesar da intensificação do cenário, o Ciex ressalta que o fenômeno ainda não está fisicamente consolidado.

 

O que mudou na projeção

De acordo com o meteorologista do Instituto de Oceanografia e pesquisador do Ciex, Ricardo Gotuzzo, a revisão ocorreu após a identificação de um aumento nas anomalias térmicas na subsuperfície do oceano.

Entre 100 e 200 metros de profundidade, o aquecimento já supera +6°C.

"Além disso, a partir da análise de variáveis meteorológicas, notamos que a atmosfera já começa a responder, ainda de forma branda, a este aquecimento anômalo das águas superficiais no Pacífico Equatorial", explica Gotuzzo.

Meteorologistas utilizam quatro classificações para o fenômeno: fraco, moderado, forte e muito forte. Para atingir a categoria máxima, as anomalias de temperatura precisam alcançar ao menos +2°C na região monitorada.

 

Chuva acima da média no segundo semestre

O principal impacto esperado para o Rio Grande do Sul é o aumento das chuvas acima da média, especialmente durante a primavera.

A nota técnica destaca que a vulnerabilidade do estado não depende exclusivamente de um evento muito forte. Segundo o centro, episódios moderados já são suficientes para favorecer instabilidade e eventos meteorológicos adversos.

Gotuzzo explica que, com meses de antecedência, ainda não é possível determinar com precisão quais regiões serão mais afetadas.

"A previsão exata de eventos extremos só possui confiabilidade técnica na escala de curto prazo, ou seja, em uma janela de 7 a 10 dias antes de algum eventual evento", afirma.

Neste momento, a previsão permite identificar apenas uma tendência de estação mais úmida e com maior frequência de chuva, condição que estatisticamente favorece eventos severos.

 

Ciex aponta necessidade de antecipação

Na manhã de quarta-feira (13/05), um dia após a divulgação da nova nota técnica, integrantes do Ciex participaram de uma reunião com representantes das Defesas Civis regionais, de Pelotas, Rio Grande e São José do Norte, além do Corpo de Bombeiros e da Agência da Lagoa Mirim.

O encontro ocorreu na sala de operações do centro, em Rio Grande, e teve como objetivo orientar gestores públicos sobre medidas antecipadas de mitigação de riscos.

Segundo o Ciex, a recomendação é que o Poder Público não espere o agravamento do fenômeno para agir.

A diretriz apresentada pelo centro é migrar de um modelo de resposta reativa para estratégias de proteção baseadas em antecipação científica e planejamento preventivo.

Fonte: GZH
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