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Publicado em 06/01/2026 17:06:03 • Saúde

Você conhece o movimento Janeiro Seco?

Por que ficar um mês sem álcool pode ser essencial para saúde?
Imagem meramente ilustrativa (Foto: Canva)

Estudo avalia os benefícios da abstinência de álcool para o sono, humor e saúde cardiovascular

Após um período intenso de festas em dezembro, muitas pessoas aderem ao movimento do Janeiro Seco, ou Dry January. A campanha, que tem origem em países da Europa e nos Estados Unidos, tem como objetivo a abstenção de álcool ao longo de todo o primeiro mês do ano.

Mas será que isso realmente é efetivo para a saúde?

Um novo estudo, publicado em dezembro na revista científica Alcohol and Alcoholism, mostrou que sim. Ficar um mês inteiro sem beber álcool pode trazer benefícios reais para a saúde e ajudar, inclusive, a reduzir o consumo de bebidas alcoólicas ao longo da vida.

O trabalho analisou 16 estudos sobre o Janeiro Seco, observando dados de mais de 150 mil participantes que aderiram ao movimento. O estudo foi liderado por pesquisadores do Centro de Estudos sobre Álcool e Dependência (CAAS).

Segundo a pesquisa, os participantes que eliminaram completamente o álcool durante um mês tiveram melhora no sono, no humor, na perda de peso, na função hepática e na pressão arterial. Além disso, eles também relataram maior capacidade de concentração e mais energia do que antes.

Para somar, de acordo com Megan Strowger, principal autora do estudo, participar de campanhas como o Janeiro Seco também leva à moderação sustentada. Em outras palavras, isso significa que pessoas que aderiram ao movimento reduziram o consumo de álcool posteriormente.

"No geral, participar do Janeiro Seco permite que as pessoas façam uma pausa, reflitam e repensem sua relação com o álcool, incluindo como ele afeta sua vida social, saúde mental e saúde física", afirma Strowger em comunicado à imprensa.

O estudo também identificou alguns efeitos colaterais negativos do desafio: um pequeno número de participantes não conseguiu completar o mês sem álcool e relatou ter consumido mais bebidas alcoólicas posteriormente.

Ainda assim, os autores do estudo recomendam ampliar o alcance, estabelecer parcerias com influenciadores e adaptar as mensagens da campanha para um público mais amplo.

 

Consumo de álcool tem diminuído no Brasil e em outros países

Os dados do estudo vão ao encontro da tendência de queda do consumo de álcool ao redor do mundo, incluindo o Brasil. Segundo a pesquisa "Álcool e Saúde dos Brasileiros: Panorama 2025", divulgada pelo CISA (Centro de Informações sobre Saúde e Álcool), 64% da população brasileira afirmou ser abstêmia, um avanço expressivo em relação a 2023, quando o índice era de 55%.

O estudo aponta, ainda, que a mudança é puxada principalmente pelos jovens adultos (entre 18 e 34 anos). Entre os brasileiros de 18 a 24 anos, a proporção de pessoas que não bebem saltou de 46% para 64% em apenas dois anos. Na faixa de 25 a 34 anos, o aumento foi de 47% para 61%.

O mesmo é observado nos Estados Unidos. Segundo uma pesquisa recente da Gallup, apenas 54% dos adultos no país afirmam consumir álcool, a menor porcentagem já registrada pela empresa.

Outro estudo, desta vez feito pela britânica Drinkware, considerou diversos países do mundo e revelou que 26% dos jovens se consideram totalmente abstêmios.

"Há muito mais apoio para um estilo de vida sem álcool hoje em dia", avalia Suzanne M. Colby, professora de ciências comportamentais e sociais. "É mais socialmente aceitável do que nunca ser 'curioso sobre a sobriedade' ou não beber álcool. As normas sociais mudaram, em parte com a ajuda de influenciadores nas redes sociais que compartilham os benefícios da sobriedade e reduzem o estigma de não beber."

Fonte: CNN Brasil
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