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Publicado em 2020-02-27 16:31:18

Cerro Largo emancipado: o perfil do novo Município

Em 1955, Cerro Largo possuía 32.700 habitantes, sendo 31 mil deles no campo
Primeira sede da Prefeitura, na esquina das ruas Pe. Max com Dr. João Sebastiany (Foto: Arquivo)

Ao conquistar sua autonomia administrativa em 1955, Cerro Largo possuia 32.700 habitantes, 31 mil deles vivendo no campo. Esse dado mostra que economicamente o município desenvolvia-se através da agropecuária e a mão-de-obra existente ainda encontrava muitas vagas de trabalho na zona rural. Havia terra, pois, para todos.

Até 1966, a área do Município era de 1.511 km2 e abrangia os territórios de Porto Xavier, São Paulo das Missões e Roque Gonzalee. O fato da maior parte da população morar no campo não significava baixos índices de alfabetização. Tendo investido desde cedo na implantação de pequenas escolas, as comunidades do interior formaram uma eficiente rede de ensino que dispensara, até aquela época, o auxílio do Estado. Em 1955, 70% da população sabia ler e escrever e havia um igual percentual de crianças entre 7 e 14 anos matriculadas nas 66 escolas de ensino fundamental existentes.

Na economia, Cerro Largo destacava-se como um dos maiores criadores de suínos do Estado (40 mil cabeças). A agricultura ainda era diversificada, mas o trigo já aparecia em segundo lugar entre os plantios. Para a indústria, a situação havia melhorado em 1929, quando a usina de Pirapó foi inaugurada, trazendo luz elétrica para o município. Em 1951, a usina teve sua capacidade de geração de energia aumentada, o que permitiu a expansão da rede de serviços.

O perfil caracteristicamente rural e ainda pacato de Cerro Largo nos anos 50 era marcante nos meios de transporte utilizados pela maioria da população. Nas estradas do município circulavam mais carroças puxadas por bois (167) do que veículos motorizados (81). Aos poucos, porém, começaram a ficar evidentes as conseqüências do estado de independência administrativa alcançado pelo município. Novas estradas foram abertas e melhoradas para o escoamento da safra que até então sempre era prejudicado pelas chuvas. O centro da cidade começou, enfim, a ser calçado e deu-se início as obras de terraplanagem da praça da matriz, cumprindo um projeto paisagístico de 1955. Nascia um dos cartões-postais de Cerro Largo.

A chegada do trem foi outro acontecimento dos anos 50 que encheu de orgulho os cerro-larguenses. O primeiro passo dessa conquista foi a construção da imponente ponte sobre o rio Ijuí, outra obra de infra-estrutura necessária para o crescimento do novo município. A ponte foi construída com recursos do governo federal e solucionou a problemática travessia do rio para automóveis e pedestres, tornando possível a expansão da estrada de ferro que chegava apenas até Santo Ângelo.

A inauguração da ponte e da estrada de ferro em 10 de janeiro de 1957 trouxe para Cerro Largo, pela primeira vez, um Presidente da República. O presidente Juscelino Kubitschek e seu então ministro do Trabalho, Indústria e Comércio, João Goulart, chegaram aquela manhã no aeroporto de São Luiz Gonzaga por volta das 10h30min e embarcaram na locomotiva que faria a viagem até Cerro Largo. O almoço aconteceu no trem. Às 13h45min, sobre a ponte do Ijuí, o presidente descerrou a placa inaugural da obra. Após essa solenidade, uma grande comitiva de carros acompanhou a partida do trem que dirigiu-se até a estação de Cerro Largo, que marcava o final da linha. Lá, por volta das 15h, Juscelino e Jango inauguraram oficialmente a estação, retornando logo em seguida à São Luiz Gonzaga.

O progresso em Cerro Largo fazia-se notar ainda pela instalação de alguns serviços públicos essenciais, como o Cartório de Registro de Imóveis, e a fundação do primeiro jornal - O Cerro Largo - e da Rádio Sociedade Serro Azul, todos no ano de 1957. Em 1958, o município ganharia um posto de saúde.

O PERFIL EM 1955

População: 32.700 habitantes;
Urbana: 1.630 habitantes;
Rural: 31.070 habitantes;
Área: 1.511 km2;
Área de matas nativas: 102.750 m2;
Nascimentos: 1.220;
Casamentos: 244;
Óbitos: 246, sendo 71 crianças menores de 1 ano;
Principais produtos agrícolas: Batata-inglesa, Trigo e Linho;
Pecuária: Bovinos, Suínos e Ovinos;
Indústria: 100 estabelecimentos;
Comércio: 19 estabelecimentos.

 

Fonte: Folha da Produção / IBGE
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