

Tontura e tremor após alto consumo de açúcar indicam hipoglicemia reativa; condição pode sinalizar pré-diabetes
A Páscoa, tradicionalmente associada ao alto consumo de chocolate, pode desencadear um quadro de mal-estar conhecido como hipoglicemia reativa.
Sintomas como tontura, tremor, sudorese e palpitações, que surgem de duas a cinco horas após a ingestão de alimentos ricos em carboidratos refinados, não devem ser confundidos com uma simples indisposição.
A hipoglicemia reativa é caracterizada por uma queda brusca da glicemia, resultado de uma secreção tardia e excessiva de insulina pelo pâncreas.
Clarissa Castro, gerente médica de diabetes da Merck Brasil, explica que essa "ressaca de chocolate" é, na verdade, o pâncreas trabalhando em sobrecarga. "É um sinal clássico de alerta para quem tem pré-diabetes ou diabetes e que não deve ser encarado como um cansaço de feriado."
Endocrinologista do Hospital Sírio-Libanês, Fernanda Salles Reis afirma que a hipoglicemia reativa acontece quando os níveis de glicose no sangue, o açúcar do sangue, caem algumas horas após uma refeição.
"Isso acontece porque o corpo libera mais insulina do que o necessário em resposta ao aumento da glicose", explica a endocrinologista.
Fernanda acrescenta que essa liberação excessiva é comum após refeições com muito carboidrato, principalmente os refinados, como farinha branca, tapioca, bolo, biscoito e açúcar. Embora os sintomas sejam incômodos, geralmente não são graves.
A atenção aos sinais é importante, pois episódios de hipoglicemia reativa indicam que a sensibilidade à insulina pode estar comprometida. Clarissa Castro explica que o pâncreas, au ser submetido a esse "teste de esforço" metabólico repetidamente, mostra que seu funcionamento está sob estresse.
Este cenário pode ser uma janela de oportunidade diagnóstica para identificar precocemente condições como o pré-diabetes.
Em casos com histórico familiar de diabetes, a modificação do estilo de vida torna-se ainda mais crucial. A adoção de hábitos alimentares mais equilibrados e, se necessário, o uso estratégico de terapias antidiabéticas podem prevenir o desenvolvimento do diabetes tipo 2.