Cerro Largo, 25 de junho de 2026. Bom dia!
[email protected] (55) 9.9982.2424
Logomarca LH Franqui
Publicado em 25/06/2026 09:25:33 • Saúde

Tétano segue sendo uma ameaça mortal

Considerada doença de outra época, continua sendo uma ameaça séria
Imagem meramente ilustrativa (Foto: Canva)

Relatórios do CDC revelam 402 casos e 37 óbitos em 15 anos nos EUA, além de quatro ocorrências em crianças apenas em 2024

O tétano pode parecer uma doença de outra época, mas especialistas alertam que ele continua sendo uma ameaça séria.

Dois relatórios recentes dos CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos) encontraram centenas de casos de tétano e dezenas de mortes ao longo de 15 anos, além de quatro casos em crianças apenas em 2024. Ao mesmo tempo, as taxas de vacinação diminuíram, o que preocupa os especialistas, que temem que mais pessoas fiquem vulneráveis a essa infecção potencialmente fatal, embora prevenível.

Para ajudar a entender o que é o tétano, por que ele continua perigoso e como as pessoas podem se proteger, conversamos com a especialista em bem-estar Dra. Leana Wen, médica emergencista e professora associada clínica da Universidade George Washington. Ela também atuou como secretária de Saúde de Baltimore.

O que exatamente é o tétano? É verdade que as pessoas o contraem ao pisar em um prego enferrujado?

Dra. Leana Wen: O tétano é causado por uma bactéria chamada Clostridium tetani. Essa bactéria produz esporos extremamente comuns no ambiente. Eles podem ser encontrados no solo, na poeira e em fezes de animais.

O tétano ocorre quando esses esporos entram no organismo por meio de uma lesão. Uma vez dentro do corpo, a bactéria pode produzir uma toxina potente que ataca o sistema nervoso.

Quanto ao famoso prego enferrujado, a ferrugem em si não é o problema. Pregos e outros objetos representam risco porque podem estar contaminados com esses esporos bacterianos, especialmente quando ficam expostos ao ambiente externo.

Diversos tipos de ferimentos podem levar ao tétano. Perfurações são um exemplo clássico, mas cortes profundos, fraturas expostas, queimaduras, lesões por esmagamento e até pequenos cortes podem representar risco se estiverem contaminados por sujeira ou detritos. Em uma série recente de casos do CDC envolvendo quatro crianças, os ferimentos incluíram uma fratura no tornozelo sofrida durante o uso de um patinete elétrico, uma perfuração e uma lesão no pé.

Se alguém sofrer um corte ou outro ferimento, quando deve se preocupar com o tétano?

Wen: As pessoas devem procurar atendimento médico se tiverem uma perfuração profunda, uma ferida contaminada com terra ou fezes de animais, uma lesão por esmagamento, queimadura, lesão por congelamento ou um ferimento contendo resíduos que não possam ser removidos facilmente.

O profissional de saúde não apenas fará a limpeza da ferida, mas também determinará se é necessária proteção adicional contra o tétano.

É fundamental procurar atendimento imediatamente. Muitas vezes, o tétano pode ser prevenido após uma lesão por meio do tratamento adequado da ferida, da aplicação de uma vacina contendo proteção contra o tétano e, em alguns casos, da administração de imunoglobulina antitetânica, que contém anticorpos capazes de fornecer proteção imediata.

Quais são os sintomas do tétano e por que ele pode se tornar tão perigoso?

Wen: Os sintomas geralmente começam entre alguns dias e algumas semanas após a lesão.

Muitas pessoas já ouviram o termo "trismo" ou "travamento da mandíbula" (lockjaw), e esse é um dos sintomas clássicos. Inicialmente, os pacientes podem sentir rigidez na mandíbula, dor no pescoço, dor nas costas ou dificuldade para engolir.

À medida que a doença progride, os músculos de todo o corpo podem ficar rígidos e sofrer espasmos dolorosos.

A doença pode rapidamente colocar a vida em risco. Os músculos responsáveis pela respiração podem deixar de funcionar adequadamente. Alguns pacientes desenvolvem espasmos nas cordas vocais que bloqueiam as vias aéreas. Outros apresentam oscilações perigosas da pressão arterial e alterações do ritmo cardíaco porque o sistema nervoso autônomo também é afetado.

A recuperação pode levar semanas ou meses e, mesmo com excelente atendimento médico, a doença pode ser fatal.

Quais vacinas são recomendadas e quando as pessoas devem recebê-las?

Wen: A Academia Americana de Pediatria recomenda que as crianças recebam cinco doses de uma vacina que contenha proteção contra o tétano como parte do calendário infantil de imunização, começando aos 2 meses de idade.

Os adolescentes devem receber um reforço da vacina Tdap — que protege contra tétano, difteria e coqueluche acelular — aos 11 ou 12 anos.

Os adultos devem tomar uma dose de reforço contra o tétano a cada 10 anos. Segundo o CDC, pessoas que sofreram queimaduras graves ou ferimentos contaminados devem receber um reforço após cinco anos.

Além disso, gestantes devem receber a vacina Tdap em cada gravidez para ajudar a proteger os recém-nascidos.

Quem corre mais risco atualmente?

Wen: As pessoas mais vulneráveis são aquelas que não foram vacinadas ou não completaram o esquema básico de vacinação.

Um relatório de vigilância do CDC constatou que, entre as pessoas que desenvolveram tétano e cuja situação vacinal era conhecida, quase metade nunca havia recebido uma vacina contra a doença.

Crianças cujos pais ou responsáveis recusam a vacinação são particularmente vulneráveis. Isso também inclui recém-nascidos, já que a vacinação durante a gravidez ajuda a protegê-los contra o tétano neonatal.

Outro grupo importante é o de idosos. As maiores taxas de casos e mortes relacionadas ao tétano ocorreram entre mulheres com 80 anos ou mais, segundo o CDC.

A série primária da vacina contra o tétano passou a ser recomendada em 1947. É possível que algumas dessas mulheres nunca tenham recebido a vacinação básica nem tenham sido vacinadas durante o serviço militar, como ocorreu com muitos homens da mesma faixa etária.

O tétano é contagioso? É possível pegar a doença de outra pessoa?

Wen: Não. O tétano não é contagioso.

Isso é importante porque ajuda as pessoas a entenderem como a doença é transmitida e reforça a importância da vacinação.

Em doenças como o sarampo, a vacinação de uma pessoa ajuda a proteger outras porque reduz a transmissão na comunidade, o que chamamos de imunidade coletiva.

Com o tétano, isso não acontece. Você não pode contar com o fato de outras pessoas estarem vacinadas para se manter protegido.

O que os relatórios do CDC encontraram que motivou novos alertas?

Wen: O relatório de vigilância do CDC analisou os casos de tétano nos Estados Unidos entre 2009 e 2023.

Nesse período de 15 anos, foram registrados 402 casos e 37 mortes.

Quase todos os pacientes precisaram ser hospitalizados, e cerca de dois terços dos internados necessitaram de cuidados intensivos. Mais de 40% dos pacientes hospitalizados precisaram de ventilação mecânica, e aproximadamente uma em cada dez pessoas infectadas morreu.

O outro relatório descreveu quatro casos de tétano em crianças de quatro estados diferentes — Idaho, Minnesota, Missouri e Wisconsin — todos ocorridos em 2024.

Embora esse número pareça pequeno, o tétano pediátrico é extremamente raro nos Estados Unidos. Entre 2013 e 2023, houve em média apenas quatro casos pediátricos por ano em todo o país.

As quatro crianças desenvolveram tétano generalizado, a forma mais comum e grave da doença. Nessa condição, a toxina afeta músculos de todo o corpo em vez de permanecer restrita a uma única região.

Todos os pacientes precisaram ser hospitalizados, com internações variando de oito a 45 dias.

É importante destacar que nenhuma dessas crianças havia completado o esquema básico de vacinação contra o tétano.

Todas desenvolveram a doença após sofrerem lesões que poderiam ter permitido a entrada da bactéria no organismo. Em dois dos casos, as famílias procuraram atendimento médico após o ferimento, mas recusaram o tratamento preventivo recomendado, incluindo a vacina e a imunoglobulina antitetânica.

Qual é sua principal orientação para quem deseja proteger a si mesmo e sua família?

Wen: Primeiro, saiba qual é a sua situação vacinal.

Muitos adultos não se lembram de quando receberam a última dose de reforço contra o tétano ou mesmo se completaram o esquema básico de vacinação. Isso pode ser facilmente verificado com um profissional de saúde.

Segundo, não ignore ferimentos. Procure atendimento médico rapidamente em caso de perfurações profundas ou feridas contaminadas por terra e resíduos.

Terceiro, reconheça que o tétano continua existindo.

A doença tornou-se rara porque as vacinas funcionam muito bem, e não porque ela desapareceu. As bactérias que causam o tétano estão presentes em todo o ambiente e não podem ser eliminadas.

Por isso, manter a vacinação em dia é tão importante. Trata-se de uma situação em que a medicina dispõe de uma forma segura e altamente eficaz de prevenir uma doença potencialmente fatal — e devemos aproveitar essa proteção.

Fonte: CNN Brasil
vacina
vacinação
tétano
CONTINUE LENDO
Receba nossas notícias pelo WhatsApp